segunda-feira, 2 de maio de 2011

Tecnologia em sala de aula: dificuldades, soluções, caminhos


Alexandre Rodrigues Alves
Conversei com César Bastos, Beth Bastos e Rosane Mello, três professores do curso de extensão em Informática Educativa da Fundação Cecierj, para conhecer suas experiências com alunos e de convivência com professores que estão interessados em utilizar recursos tecnológicos em sala – o que fazem para preparar suas aulas, que dificuldades encontram. Aproveitei para levantar algumas questões sobre a relação com os estudantes – já que estes estão mais predispostos a descobrir os encantos e recursos da tecnologia. Afinal, não adianta ficar só falando que o professor deve fazer isso ou aquilo; é bom saber o que ele tem feito e quais são suas dificuldades para levar os benefícios da tecnologia para a educação.

O primeiro obstáculo que César identifica é a falta de habilidade no uso dessas ferramentas – especialmente pelos professores mais velhos. Para ele, “a atitude de cada professor está relacionada à sua formação; poucos utilizam tecnologias que não aprenderam na graduação. Os cursos de licenciatura ainda reproduzem o que as gerações anteriores faziam”. Rosane exemplifica: “o professor tem em casa computador, DVDs, máquinas fotográficas digitais; mas não se lembra de usá-los como ferramenta didática”, e Beth complementa: “a maioria deles ainda não se mobilizou para buscar capacitação para o uso pedagógico desses recursos”. Com isso, só utilizam a tecnologia para tarefas como preparar provas, lançar notas, apresentar conteúdos. Para César, esse problema é mais nítido na educação pública, porque as escolas da rede privada já vêm optando por contratar aqueles docentes que dominam esses recursos.
           
Para Rosane, as ferramentas de tecnologia terão seu uso facilitado e disseminado se houver capacitação dos profissionais; ela acredita que elas se tornarão essenciais para o processo educativo, “pois seu uso estimula a aprendizagem”. Beth Bastos preferiu considerar o ponto de vista de hábito: pesquisas comprovam que os programas mais utilizados pelas pessoas de modo geral (e os professores em particular) são o editor de texto e o navegador da internet – e também são essenciais, porque reúnem a possibilidade de ter acesso a novas fontes de pesquisa e de provocar a interação de alunos e professores (o que exige o uso de algum tipo de editor de textos). César acredita que as tecnologias de ponta são as de utilização mais fácil, e exemplifica: “o nível de interatividade que a web 2.0 oferece é muito grande e motiva os alunos, mas é preciso que também os professores saibam utilizar esses recursos”.

Aliás, a experiência dos estudantes com a tecnologia pode contribuir para as aulas, visto que pedir apoio daquele aluno que domina esse conhecimento pode valorizá-lo, provocar a participação dele e dos demais estudantes no processo educativo; mas, para isso, é preciso que o professor conheça suas turmas e saiba quem pode dar uma colaboração mais efetiva nessas situações.

Beth destaca outro aspecto que pode ser aproveitado nos alunos dessa geração, que nasceu mergulhada em tecnologia: a capacidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo. “Eu pessoalmente faço isso há tempos, eu estudava ouvindo rádio. Acho que a diferença está no número de atividades simultâneas – eles falam no Messenger, respondem a e-mails, baixam músicas...” Para ela, o professor tem que reconhecer essa característica dos estudantes e saber aproveitá-la, propondo dinâmicas que não os obriguem a seguir um único caminho, por exemplo. César completa: “Não vamos mudar esses alunos; temos é que mudar os velhos métodos e usar vídeos, cinema e rádio em sala de aula. Não adianta querer que eles deixem de assistir à TV”.
A tecnologia está presente também nos momentos de pesquisa. Para Rosane, um elemento importante desse tipo de atividade é a orientação do trabalho. Beth acha que o que deve ser levado em consideração é a informação disponibilizada, e não o suporte – se é livro, CD-ROM ou internet. César lembra que a Fundação Cecierj oferece vários cursos para que os professores aprendam a contribuir para os processos de pesquisa dos alunos e desenvolvam objetos de aprendizagem que auxiliem os estudantes.
Já que estávamos falando em pesquisa, resolvi provocar: como fazer para evitar que os trabalhos sejam simples cópia de textos? Afinal, o processo de copia-e-cola é muito mais fácil no mundo digital. César foi enfático: “Primeiro devemos fazer com que os professores não copiem o que outras gerações já fizeram”, incluindo os temas e as fontes de pesquisa sugeridas. Beth e Rosane concordam quanto à solução: dar trabalhos com comandos mais específicos, objetivos claros e uma orientação mais próxima – de preferência com uma lista de fontes a serem consultadas e definição do produto que será confeccionado.

Um obstáculo bastante forte para o uso das tecnologias é o acesso. Nem todos os alunos têm computador; além disso, muitas vezes o acesso à internet é restringido pela velocidade ou pela disponibilidade de tempo (em casa, no trabalho ou na lan house). César considera que a melhor prática é oferecer ou indicar material de boa qualidade, atraente, de modo que o aluno não vá a essas lojas somente para jogar nem fique pesquisando em sites que divulgam informações de qualidade duvidosa. Rosane vê como solução o compartilhamento dos resultados, já que o acesso é quase individual. Para Beth, o fato de nem todas as escolas terem laboratórios de informática faz com que o professor não se aventure em utilizar computadores, porque, nesse caso, precisará propor atividades separadas para alunos que se encontram em diferentes condições.
           
Beth lembra, porém, que não basta haver distribuição de equipamentos e acesso à internet para os professores. É preciso que essas ações de democratização do acesso estejam integradas a outros programas de atualização e formação dos professores. César reforça: deve haver melhoria também nos salários e na infraestrutura de ensino, valorizando o profissional e sua atividade. Ele compara: “desde 2004 utilizo a lousa eletrônica em minhas aulas na rede privada; na rede pública, ainda estamos na idade da pedra: até hoje a escola pública onde trabalho me oferece como principal recurso o quadro de giz. Os professores da rede privada que, como eu, trabalham também em escolas públicas estão muito bem preparados para utilizar as novas tecnologias, mas ali infelizmente não têm acesso a elas”.
“É preciso reconhecer”, diz Beth, “que os governos vêm criando vários espaços de tecnologia”. Nesse momento, é fundamental o papel dos gestores escolares: “devem ser incentivadores, mobilizadores e definidores de políticas internas de uso da tecnologia”.

Ou seja, para incorporar à educação os benefícios da tecnologia, vai ter trabalho pra todo mundo: para professores, para diretores, para alunos e para as autoridades. Quem ganha? Todos os envolvidos, e especialmente a educação brasileira.

Publicado em 7 de abril de 2009

Fonte: http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/tecnologia/0027.html

terça-feira, 12 de abril de 2011

Na era da informação, saber o básico é o fim!

 Olá Pessoal!


Postei hoje este artigo da IP2 MKT, pois embora seja voltado para o mundo empresarial relata o que acorre em nossas vidas.
Afinal de contas, nós professores também devemos nos tratar como empresas... Empresas de conhecimento. 
Pois vendemos nosso tempo para as instituições (prefeituras, estado, etc.) e em troca devemos produzir conhecimento e transmitir-lo para nossos alunos.


Leiam, com Muita certeza, não se arrependerão.


Abração.....


Arlene Dörner Brunetto
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A raiz do problema está no fato de grande parte das pessoas não distinguir o que é dado e o que é informação. Inclusive muitos administradores de empresas, que pensam dominar todos os assuntos concernentes à sua profissão, na verdade não sabem nem o básico sobre essa simples diferença. Um dado nada mais é do que uma variável isolada, que, sozinha, na maioria das vezes não quer dizer muita coisa. Já uma informação é um conjunto de dados. Ela sim traz relevância para a tomada de decisão correta, gerando
conhecimento útil.

Diariamente nos deparamos com várias circunstâncias que comprovam como as pessoas estão mais voltadas aos dados do que às informações. Gostaria antes de expor alguns casos para ilustrar o assunto, a fim de que o leitor entenda o dado como a aceitação de um fato e informação como o julgamento deste. 
Recentemente eu estava no litoral paranaense com minha família, jogando vôlei de praia, quando minha esposa me acenou com as chaves do carro avisando que estava voltando para casa mais cedo. Percebi que o motivo estava relacionado com minha filha de 2 anos, mas que não se tratava de nada grave.
Após o jogo, voltei para pegar o guarda-sol e a cadeira de praia, que continuavam na areia, e enfrentar sete quadras a pé em um calor de 35 graus, à 1 h da tarde. O restante das coisas – entre elas, a sacola com o protetor solar e o dinheiro –, minha esposa já tinha levado. Como havíamos chegado à praia às 8 h da manhã, fiquei preocupado com a eficácia do protetor, que àquela hora já deveria ter vencido. Por esse motivo, segui para casa debaixo da sombra do guarda-sol. 
Logo que saí da areia, cruzei com um casal. Antes mesmo de nos afastarmos, escutei a mulher dizendo a seu marido: "Um típico farofeiro! Pelo jeito, nunca veio à praia!" Mais adiante, quando passei por uma dupla de adolescentes, ouvi um dizer para o outro algo tão agradável quanto o comentário que tinha escutado um pouco antes a meu respeito: "Que fresco! O tio tem medo de derreter!" Aquilo só piorou a sensação de imbecilidade que eu já estava sentindo. Por fim, já próximo de meu destino, passei por
um grupo enorme de jovens – estes de excursão mesmo – que, ao me ver, começou a imitar dançarinos de frevo. 
Ao chegar em casa, encontrei minha filha dormindo no sofá. Na mesma hora soube por minha esposa que as duas tinham voltado mais cedo porque a pequena estava com fome e que, depois de comer, logo caiu no sono.
O ignorante se baseia em dados. O culto, em informações. Os que viram aquele homem de 1,94 m de altura, barbudo, cheio de areia, suado, com um guarda-sol aberto e uma cadeira de praia debaixo do braço andando pela rua se basearam em um fato pontual para tecer seus comentários sarcásticos. Fizeram suas considerações tendo como suporte apenas um dado, uma variável isolada. 
Aceitar ou não que alguém ande de guarda-sol aberto nas ruas de uma cidade litorânea é direito de qualquer um. Julgar esta decisão, não. Um julgamento, para ter validade, deve ser feito a partir de um conjunto de dados angariados e processados. Só assim pode se chegar a uma correta interpretação dos fatos. As razões que me levaram a optar por andar até minha casa em uma circunstância que pareceu ridícula para um certo número de pessoas agora estão claras para o leitor. Portanto, este, sim, pode julgar o acontecido. 
Antecipar-se aos fatos, ou melhor, aos dados, é pura ignorância. Por esse motivo, evito fazer considerações a respeito de, por exemplo, separações, traições ou afins. Apenas aceito ou não a decisão das pessoas ao romperem um relacionamento. Mas, definitivamente, não as julgo. Para fazê-lo, eu teria que, no mínimo, saber como era a convivência do casal. 


Neste ponto, você poderia perguntar: “O que situações corriqueiras da vida pessoal têm a ver com o mundo dos negócios?” E eu responderia: “Tudo!”, já que as estratégias dentro de uma porção de organizações são decididas pelo mesmo método descrito. Quem já não presenciou um erro administrativo ou a ocorrência de uma injustiça causada pela simples ausência de dados? Eis a causa do fracasso de muitas empresas: o foco apenas em fatores isolados. Não fossem tantos os administradores tomando decisões com base no emocional, deixando os fatos realmente pertinentes de lado, os ambientes de trabalho seriam muito mais justos do que são hoje. 


Errar no mundo dos negócios não é apenas perder um jogo, mas arranhar a mais importante das marcas: o seu nome. Devo lembrar que também aprendemos com o erro e que temos o direito de cometer pecados no mundo organizacional. Em contrapartida, também temos o dever de não falhar naquilo que já aprendemos a fazer corretamente. Afinal, persistir no mesmo erro não é engano, é amadorismo puro. Por essa razão, ninguém mais quer brincar de adivinha. O tempo do "achismo" ou da "sacada genial" está sendo substituído pelo estudo de mercado com base em pesquisas científicas, um serviço menos custoso do que ver um negócio desandar. 

Com a internet em pleno desenvolvimento e dados disponíveis on-line em segundos, fechar os olhos e apenas aceitar o mercado talvez seja o primeiro passo para o fim. Estar atento ao mundo mercadológico, agrupando dados pertinentes e processando informações oportunas, é um requisito mínimo para quem deseja ter sucesso hoje. Com ele é possível parar de apenas aceitar o mercado e passar a fazer julgamentos de um jeito profissional, o que certamente propicia melhores condições para que as decisões
corretas se desenvolvam.

Fonte: http://ip2mkt.com.br/ip2360/index.php?option=com_content&view=article&id=95:na-era-da-informacao-saber-o-basico-e-o-fim&catid=64:marketing-a-comunicacao&Itemid=90

quarta-feira, 6 de abril de 2011

A Evolução dos Municipios de Santa Catarina até 1967

O primeiro município a ser criado na Capitania de Santa Catarina foi o de Nossa Senhora da Graça do Rio São Francisco do Sul, hoje São Francisco do Sul, no ano de 1660; em 1714, era criado o segundo município, Santo Antônio dos Anjos da Laguna, atual Laguna.

Em 1726, desmembrava-se de Laguna o município de Nossa Senhora do Desterro, hoje Florianópolis.

Pelos caminhos de Lages foram se fixando povoações em direção ao Rio Grande do Sul e, em 1770, Lages emancipava-se da Capitania de São Paulo, anexando-se à Capitania de Santa Catarina.

Por volta de 1832, emancipavam-se de Florianópolis: Porto Belo, São Miguel (hoje Biguaçú) e São José. Após 27 anos, Porto Belo perdia sua autonomia, retornando-a em 1925. Em 1859 foi a vez da emancipação de São Sebastião da Foz do Rio Tijucas, atual Tijucas.

Em 1839, o Governo da República Farroupilha decretava a cidade de Laguna como a capital de Santa Catarina, com o nome de Juliana, época movimentada que terminou em março de 1845.




A vinda de imigrantes europeus para colonizar terras de Santa Catarina contribui para a expansão dos povoados e consequente aumento da população.

O mapa de 1907 mostra os contornos imprecisos do Estado, devido a questões de limites com os Estados do Rio Grande do Sul e Paraná. Em 1917, foi estabelecido o "Acordo de Limites" entre Paraná e Santa Catarina, passando o limite desses Estados pelo divisor de águas entre as bacias hidrográficas dos rios Iguaçu e Uruguai, incorporando-se definitivamente a Santa Catarina todo o oeste e os municípios de Mafra e Porto União, ao norte.



No ano de 1930, ficou resolvido o problema divisório entre Santa Catarina e o Rio Grande do Sul, anexando-se ao território catarinense o trecho da nascente do rio Mampituba, entre o arroio Josafá e a encosta da Serra Geral. Nessa época Santa Catarina, contava com 34 municípios.



Em 1934, desmembrava-se de Blumenau: Timbó, Indaial, Ibirama e Gaspar; de Joaçaba: Concórdia; de Campos Novos e Joaçaba: Caçador; e de Joinville: Jaraguá do Sul.

Em 1934, o Estado de Santa catarina sofreu uma redução com a criação do Território de Iguaçú, porém por pouco tempo, pois em 1946 Santa Catarina retomava este território.



No ano de 1953, 8 municípios conseguiam sua autonomia: Dionísio Cerqueira, Itapiranga, Mondaí, Palmitos, São Carlos, São Miguel d'Oeste, Xanxerê e Xaxim, fragmentando, pela primeira vez, o município de Chapecó.



Em 1958, mais de 30 municípios foram criados; e de 1961 a 1967 foram criados mais 91.
Após um intervalo de 15 anos, em 1982, emanciparam-se de Lages, os municípios de Otacílio Costa e de Correia Pinto.

O maior número de desmembramento ocorreu nas zonas coloniais de maior densidade populacional, como nos vales dos rios Itajaí, do Peixe, Tubarão e Chapecó.


Fonte: http://www.sc.gov.br/conteudo/santacatarina/historia/paginas/14municipios.html, acessado em 06/04/2011 ás 16:56






História SC - Alemães ****